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SFH a R$ 2,25 milhões: por que o novo teto de crédito não resolve sua viabilidade sozinho

O Conselho Monetário Nacional ampliou o valor máximo de imóvel financiável pelo SFH e a faixa de uso do FGTS. Para quem lança no médio e alto padrão, a pergunta certa não é se isso ajuda. É quanto do seu VGV muda de faixa de crédito, e o que fazer com esse número dentro do modelo.

SFH a R$ 2,25 milhões: por que o novo teto de crédito não resolve sua viabilidade sozinho

O que mudou de fato

O Conselho Monetário Nacional elevou o teto do Sistema Financeiro da Habitação de R$ 1,5 milhão para R$ 2,25 milhões. A medida faz parte de um novo modelo de direcionamento da poupança para crédito imobiliário, anunciado ainda no fim de 2025 e em implementação gradual ao longo de 2026. O percentual dos depósitos de poupança que os bancos precisam destinar a crédito imobiliário sobe dos atuais 65% para 100%, e 80% desse volume tem que ir para operações dentro do SFH, com custo efetivo total limitado a 12% ao ano. O FGTS passou a poder ser usado dentro dessa faixa ampliada, inclusive em contratos que antes ficavam fora da regra.

Por que isso parece bom demais para não comemorar

Na superfície, é uma boa notícia para quem lança no médio e alto padrão. Um apartamento de R$ 1,8 milhão, que antes só encontrava crédito no SFI a taxas de mercado livre e sem acesso ao FGTS, agora entra na faixa protegida. Isso amplia o público comprador exatamente na faixa de ticket onde vive boa parte das incorporadoras de 3 a 15 lançamentos por ano.

O problema é o próximo passo que a maioria pula. A notícia vira manchete, a manchete vira suposição, e a suposição entra direto na tabela de vendas como se toda a velocidade de vendas do empreendimento tivesse acabado de melhorar. Ela não melhorou. O que melhorou foi o custo de crédito de uma parte específica do seu mix de unidades, sob condições específicas.

Três detalhes que a manchete não carrega

O enquadramento no teto depende do laudo de avaliação do banco, não do preço de tabela. É comum haver diferença entre os dois, principalmente em unidades de acabamento diferenciado ou com vaga dobrada. Uma unidade anunciada a R$ 2,2 milhões pode ser avaliada acima do teto e ficar de fora do SFH mesmo estando dentro do número redondo.

O comprador ainda precisa cumprir os critérios de sempre: imóvel urbano residencial, ausência de outro financiamento ativo no SFH, parcela compatível com renda. O teto novo não elimina nenhum desses filtros, só desloca a régua de preço.

O direcionamento de 100% da poupança é gradual, com plena vigência prevista só para 2027. A oferta de crédito nas agências tende a acompanhar esse cronograma, não a data do anúncio. Parte do mercado já está precificando a mudança como se o funding estivesse pleno hoje.

Nada disso invalida a mudança. Só significa que ela não é um dado que se aplica igual a cada unidade do seu empreendimento. É uma variável que precisa ser testada por faixa de preço, não assumida por VGV total.

O que muda dentro do modelo

Segmente o seu mix de unidades pelo valor de avaliação estimado, não pelo preço de tabela, e marque quais ficam confortavelmente abaixo de R$ 2,25 milhões, quais estão na margem de erro do laudo e quais seguem fora por qualquer outro critério.

Trate o ganho de velocidade de vendas dessa faixa elegível como um cenário a mais dentro da análise de sensibilidade, testando o com e o sem acesso ampliado, ao invés de embutir o otimismo direto no cenário base.

Lembre que o teto de crédito não mexe na sua TMA nem no CDI que você usa para descontar o fluxo. Ele mexe na curva de demanda do comprador, que é uma premissa separada da taxa de desconto do projeto.

Um exemplo rápido

Um empreendimento com unidades entre R$ 450 mil e R$ 2,4 milhões tem, a princípio, boa parte do VGV dentro da nova faixa protegida. Mas se as unidades de canto, com vaga extra e acabamento superior, estiverem avaliadas acima de R$ 2,25 milhões, exatamente essas unidades, que normalmente carregam a maior margem, ficam de fora do benefício. É o tipo de detalhe que muda o resultado da análise de sensibilidade e que nenhuma manchete resolve por você.

O critério da vez

O critério não está em saber que o teto subiu. Está em saber quantas unidades do seu próximo lançamento realmente mudam de faixa, e testar isso antes de assinar a tabela de vendas, não depois de lançar torcendo para que o VSO acompanhe a notícia.

Quantas unidades do seu próximo empreendimento ficam dentro dos novos R$ 2,25 milhões, e você já testou o que isso muda na velocidade de vendas, ou está assumindo que muda?

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